A propiedade como um roubo
copiado do blog Produtores Independentes.
Por Coelho de Moraes
Para ler ouvindo CARAÍBA. Faixa bônus do “Samba de Doer” - Klaksom - 2004
Fácil de entender e de aceitar.
A selva imperava e, na selva, indígenas, silvícolas, tribos variadas com linguagens variadas, viviam e usufruíam da terra e das águas e de tudo que dali brotava.
A citação parece meio bíblica, mas está ai um livro – a Bíblia - que todos repetem mas não seguem. Serve apenas como ilustração e bibliografia.
Havia gente na terra e na água virgens. Auriverdes campos, ondas aniladas e tronitroantes batiam nas areias douradas e Iracema jazia deitada numa boa, chupando manga e assim vai…
Como se vê, pelo modo de vida indígena, não havia dono da terra, pelo menos no sentido da propriedade privada, passada em cartório com selinhos e carimbos… diga-se que selinhos e carimbos são coisas de brancos europeus. O índio usufruía. Acabou a mandioca dali, passa para outro lugar, planta ou pesca mais, nômades, caminheiros brasílicos, sem-terra, vivendo na terra.
Ora, um dia aportaram naus. As naus trouxeram homens e vírus. Das naus saíram leis e os marinheiros ficaram por aqui, passando a escravizar e a domar feras. Ninguém pediu. Parece que Deus olhou de lado e deixou rolar. Deus é assim, meio cego. Talvez um ciclope. O europeu tomou o que quis, afinal chegava com pólvora e canhões e armamento pesado.
Tomou a terra. Violentou a “lei natural”, digamos assim – coisa de civilizado. Roubou a terra, a bem dizer. Impôs limites. Cercas. Donos e proprietários com papéis timbrados em Espanha e Portugal, em nome do Rei este ou aquele – católicos e venturosos – apareceram do nada, donos, qualquer um podia ser o dono, bastava ter chegado em primeiro lugar. Aquela brincadeira de criança: “Quem chegou primeiro? Então é meu!” – mas parece que o aborígine já estava por lá, se não me engano e todos os leitores sabem disso muito bem.
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